
Histórico do Espiritismo – XI
Independendo de qualquer forma de culto, não prescrevendo nenhum e não se ocupando com os dogmas particulares, o Espiritismo não é uma religião especial, visto que não tem sacerdotes, nem templos. Aos que lhe perguntam se fazem bem em seguir tal ou qual prática, responde: “Se credes que vossa consciência o exija, fazei-o; Deus leva sempre em conta a intenção. Numa palavra, ele não se impõe a ninguém; não se dirige aos que têm fé e a quem esta fé basta, mas à numerosa categoria dos indecisos e dos incrédulos; estes, ele não os arrebata à Igreja, visto que, no todo ou em parte, dela já se separaram moralmente; apenas os leva a percorrer três quartos do caminho, para nela entrarem, cabendo a ela fazer o resto”
É verdade que o Espiritismo combate certas crenças, tais como a eternidade das penas, o fogo material do inferno, a personalidade do diabo, etc. Mas também é certo que essas crenças, impostas como absolutas, só têm gerado incrédulos, em todos os tempos e ainda hoje. Ao dar a esses dogmas e alguns outros uma interpretação racional, o Espiritismo reconduz à fé os que dela se afastaram, prestando, desse modo, um serviço à religião. E por isso que um venerável eclesiástico dizia a este respeito: “O Espiritismo faz crer em alguma coisa; ora, mais vale crer em alguma coisa do que não crer absolutamente em nada”.
Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, não se pode negar os Espíritos sem negar a alma. Admitidas as almas ou Espíritos, a questão, reduzida à sua expressão mais simples, é esta: “As almas dos que morreram podem comunicar-se com os vivos?” O Espiritismo responde pela afirmativa e o prova por fatos materiais. Que prova se poderá dar de que isso não é possível? Se é, todas as negações do mundo não impedirão que assim seja, desde que não se trata nem de um sistema, nem de uma teoria, mas de uma lei da Natureza. Ora, contra as leis da Natureza a vontade do homem é impotente. Querendo ou não, não há como deixar de aceitar as suas consequências e a elas conformar as nossas crenças e hábitos.
(Livro – O espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec)
