
Histórico do Espiritismo – V
A morte, portanto, não passa da destruição do invólucro grosseiro do Espírito. Só o corpo morre, o Espírito não. Durante a vida o Espírito se acha, de certo modo, comprimido pelos laços da matéria a que está unido e que muitas vezes lhe paralisa as faculdades. A morte do corpo o liberta desses laços. O Espírito se desprende deles e recobra a liberdade, como a borboleta ao sair da crisálida; mas só deixa o corpo material, conservando o perispírito, que constitui para ele uma espécie de corpo etéreo, vaporoso, imponderável para nós e de forma humana, que parece ser a forma padrão.
Em seu estado normal, o perispírito é invisível, mas o Espírito pode fazê-lo sofrer certas modificações que o tornem momentaneamente acessível à vista e mesmo ao tato do homem, como sucede com o vapor condensado. É assim que algumas vezes se nos podem mostrar nas aparições. É por meio do perispírito que o Espírito atua sobre a matéria inerte e produz os diversos fenômenos de ruído, de movimentos, de escrita, etc.
Para os Espíritos, as pancadas e os movimentos são meios de que se servem para atestarem a sua presença e chamarem sobre si a atenção, absolutamente como faz uma pessoa que bate para advertir que alguém está ali. Há as que não se limitam a ruídos moderados, indo ao extremo de produzirem barulho semelhante ao da louça que se quebra, ao de portas que se abrem e se fecham ou ao de móveis que se derrubam.
Mediante pancadas e movimentos convencionais, puderam exprimir seus pensamentos, mas a escrita lhes oferece o meio mais completo, mais rápido e mais cômodo, razão por que o preferem. Assim como podem formar caracteres, podem guiar a mão para que trace desenhos, escrever música, executar um trecho musical num instrumento. Em síntese, na falta de seu próprio corpo, que já não possuem, servem-se do médium para se manifestarem aos homens, de maneira sensível.
(Livro – O espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec)
