
Histórico do Espiritismo – IV
Que são esses Espíritos? Que papel representam no Universo? Com que objetivo se apresentam aos mortais? Tais as primeiras questões que se tratou de resolver. Logo se ficou sabendo, por eles mesmos, que não são seres à parte na criação, mas as próprias almas dos que viveram na Terra ou em outros mundos; que essas almas, depois de se terem despojado de seu invólucro corporal, povoam e percorrem o espaço. Já não se pode duvidar disso, quando muitos reconhecem parentes e amigos entre essas almas e com elas puderam conversar; quando aqueles que vêm dar a prova de sua existência, demonstram que apenas seus corpos morreram, mas que sua alma ou Espírito vive sempre, que estão perto de nós, vendo-nos e observando-nos como quando vivos, cercando de cuidados aqueles a quem amaram, cuja lembrança é, para eles, doce satisfação.
Geralmente se faz dos Espíritos uma ideia completamente falsa. Eles não são, como muitos imaginam, seres abstratos, vagos e indefinidos, nem alguma coisa semelhante a um clarão, a uma centelha. São, ao contrário, seres reais, tendo a sua individualidade e uma forma determinada. Deles se pode fazer uma ideia aproximativa pela explicação seguinte:
Há no homem três coisas essenciais: lº) a alma ou Espírito, princípio inteligente no qual residem o pensamento, a vontade e o senso moral; 2º) o corpo, envoltório material, pesado e grosseiro, que põe o Espírito em relação com o mundo exterior; 3º) o perispírito, envoltório fluídico, extremamente sutil, servindo de laço e intermediário entre o Espírito e o corpo. O invólucro exterior está gasto e já não pode funcionar, tomba e o Espírito se desprende dele, como o fruto e a árvore se despojam de suas cascas; numa palavra, como deixamos uma velha roupa imprestável. É o que se chama a morte.
(Livro – O espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec)
