
Histórico do Espiritismo – VIII
Com efeito, o Espiritismo se funda na existência dos Espíritos; mas, não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, desde que há homens há Espíritos. O Espiritismo nem os descobriu, nem os inventou. Se as almas ou Espíritos podem manifestar-se aos vivos é que isso está na Natureza e, assim, desde todos os tempos eles o puderam fazer. É por isso que em todos os tempos e por toda parte se encontra a prova dessas manifestações, abundantes, sobretudo nas narrações bíblicas. O que é moderno é a explicação lógica dos fatos, o conhecimento mais completo da natureza dos Espíritos, o seu papel e o seu modo de ação, a revelação do nosso estado futuro; enfim, sua constituição em corpo de ciência e de doutrina, com as suas diversas aplicações. Os Antigos conheciam os princípios, os Modernos conhecem os detalhes. Na Antiguidade, o estudo desses fenômenos era privilégio de certas castas, que só os revelavam aos iniciados em seus mistérios. Na Idade Média, os que com eles se ocupavam ostensivamente eram tidos por feiticeiros e queimados; mas, hoje, não há mistérios para ninguém e já não se queimam as pessoas. Tudo se passa em plena luz e todos podem esclarecer-se e praticar, uma vez que há médiuns por toda parte.
A própria Doutrina que os Espíritos hoje ensinam nada tem de novo. Encontramo-la fragmentada na maioria dos filósofos da índia, do Egito e da Grécia, e toda inteira nos ensinos do Cristo. Que vem fazer então o Espiritismo? Vem confirmar, mediante novos testemunhos, demonstrar, por fatos, verdades desconhecidas ou mal compreendidas, restabelecer o verdadeiro sentido das que foram mal interpretadas.
(Livro – O espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec)
