
Histórico do Espiritismo – VI
Os Espíritos podem ainda manifestar-se de várias maneiras, entre outras pela visão e pela audição. Certas pessoas, chamadas médiuns audientes, têm a faculdade de ouvi-los, podendo assim conversar com eles; outros os veem: são os médiuns videntes.
Os Espíritos que se manifestam à visão em geral se apresentam sob forma análoga à que tinham em vida, porém vaporosa; doutras vezes essa forma assume todas as aparências de um ser vivo, a ponto de causar ilusão tão completa que por vezes são tomados por indivíduos de carne e osso, com os quais se pode conversar e trocar apertos de mãos, sem que se suspeite tratar-se de Espíritos, até que estes subitamente desapareçam.
Outrora esses fatos eram encarados como sobrenaturais e maravilhosos e eram atribuídos à magia e à feitiçaria; hoje, os incrédulos os lançam à conta da imaginação. Mas, desde que a ciência espírita lhes deu a explicação, sabe-se como se produzem e que não escapam da ordem dos fenômenos naturais.
Ainda há os que acreditam que os Espíritos, pelo simples fato de serem Espíritos, devem possuir a soberana ciência e a suprema sabedoria. É um erro que a experiência não tardou em demonstrar. Entre as comunicações dadas pelos Espíritos, algumas são sublimes pela profundeza, pela eloquência, pela sabedoria, pela moral e que só exalam bondade e benevolência; mas, ao lado dessas, outras há muito vulgares, levianas, triviais, mesmo grosseiras, pelas quais o Espírito revela os mais perversos instintos.
É, pois, evidente que não podem emanar da mesma fonte e que, se há bons Espíritos, também há os maus. Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, naturalmente não podem tornar-se perfeitos tão-só porque deixaram seus corpos. Enquanto não hajam progredido, conservam as imperfeições da vida corporal, razão por que se nos apresentam em todos os graus de bondade e de maldade, de saber e de ignorância.
(Livro – O espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec)
